sábado, 19 de março de 2011

MINHA ALDEIA - PENHA GARCIA - COM TODA SUA BELEZA E EXPLENDOR


Pensamento de Agostinho da Silva 

  


1. Existe um Deus que é o conjunto de tudo quanto apercebemos no Universo. Tudo o que existe contém Deus, Deus contém tudo o que existe. Pode-se, sem blasfémia, considerar, falar não de Deus mas apenas do Universo, com Espírito e Matéria, formando um todo indissolúvel. A doutrina de Deus, tal como a pôs Cristo, permite considerar todas as religiões como boas, embora em graus diferentes, todos os homens como religiosos. Não poderá, portanto, fazer-se em nome de Deus qualquer perseguição: todo o homem é livre para examinar e escolher; a maior ou menor capacidade de exame e o resultado da escolha serão, em qualquer caso, a expressão do que ele é e do máximo a que pode chegar segundo as suas capacidades.

2. A visão mais alta que podemos ter com Deus, nós que somos apenas uma parte do Universo, é uma visão de Inteligência e de Amor; os pecados fundamentais que o homem poderá cometer são as limitações da Inteligência ou do Amor: toda a doutrina estreita, sem tolerância e sem compreensão da variedade do mundo, toda a ignorância voluntária, todo o impedimento posto ao progresso intelectual da humanidade, toda a violência, todo o ódio, limitam o nosso espírito e o dos outros, impedem que sintamos a grandeza, a universalidade de Deus.

3. Deus não exige de nós nenhum culto; prestamos a nossa homenagem a Deus, entramos em contacto pleno com o Universo, quando desenvolvemos a nossa inteligência e o nosso Amor: um laboratório, uma biblioteca são templos de Deus; uma escola é um templo de Deus, e o mais belo de todos. Todos podemos ser sacerdotes, porque todos temos capacidades de Inteligência e de Amor; e praticamos o mais elevado dos cultos a Deus quando propagamos a cultura, o que significa o derrubamento de todas as barreiras que se opõem ao Espírito. Estão ainda longe de Deus, de uma visão ampla de Deus os que fazem consistir o seu culto em palavras e ritos; mas dos que subirem mais alto não pode haver outra atitude senão a de os ajudar a transpor o longo caminho que ainda têm adiante. Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor, procurará levá-lo ao nível mais alto.

4. Para que possa compreender Deus, para que possa, melhorando-se, melhorar também os outros, o homem precisa de ser livre; as liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização, social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito critico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio; ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para um bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte das preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de exploração e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.

      (in “A Doutrina Cristã” editado em 1943) 

Atentemos bem no que nos é posto neste pensamento de Agostinho da Silva. Especialmente na primeira frase que sublinhei, deixando transparecer o que ele considera "DEUS".
Ele consegue apresentar um texto que, pode ser interpretado de harmonia com as convicções de quem o lê. Mas não permite a que alguém afirme que ele concebe DEUS, à luz de quaisquer religiões ou crenças. Afinal de contas, reanalisando o que em meu primeiro poste deste blog digo, apraz-me constatar que, também ele aponta para o mesmo tipo de mensagem.
Repare-se o sentido de "No reino Divino" equivalente a UNIVERSO, levando em conta a frase que primeiramente sublinhei.

quarta-feira, 16 de março de 2011

MEU COMENTÁRIO AO QUE CONSTA NO DIAPOSITIVO FINAL DE UM EXTRAORDINÁRIO (PELA SUA BELEZA), PPS DE FOTOS OBTIDAS DO HUBBLE.
Universo tem limites ? Vai ser eterno ? Viajaremos por ele ?
A isso o Hubble não pode responder. Os bilhões de galáxias, estrelas, planetas e outros corpos celestes, as distâncias infinitas, as dimensões fantásticas e a dinâmica das transformações situam o Universo muito além da imaginação e das indagações humanas. Nosso planetinha está dentro dele. É uma jóia minúscula, mas berço de nossas vidas e repositório de outras tantas maravilhas.
Em tudo, o Universo assombra, espanta e encanta. Para que ele exista é necessário que haja um Criador. Com Poder, Inteligência, Criatividade, gosto pela Beleza e pela Vida, em grau máximo.
É um privilégio de nossa geração poder conhecer melhor e ser participante desta obra incomparável de Deus.
MEU COMENTÁRIO
“É necessário que haja um Criador”...???
Será este fundamento suficiente para que se possa afirmar peremptoriamente de que existe um Criador???
Só porque filosoficamente se pensa nessa necessidade ele passou a existir?
Nesta base se fundamentam todas as religiões ou crenças, com a existência de um DEUS,
e que conforme essas religiões ou crenças é assumido com outras designações também.
A ciência ensina-nos a sermos prudentes e lúcidos quanto às teorias que se vão cons-
truindo, admitindo que poderão ser aceites até prova em contrário.
Penso que é este o fundamento em que assenta basicamente tudo o que constitui
crença nesta área, na medida em que essa prova em contrário é difícil de ser obtida. Mas
o inverso é igualmente verdadeiro.
Porque tem de ser aceite a teoria da existência e não a da não existência? (Isto para os crentes, como é óbvio).
Mas fica muito difícil conseguir aceitar essa postura. Vejamos:
Numa das fotos obtidas pelo HUBBLE, vemos que duas galáxias em redemoínho NG 2207 e IC 2163, se encontram a 114 milhões de anos luz de distância. Não será absurdo pensar que para além destas poderão existir mais 114 milhões anos luz e assim indefinidamente.
Um criador para tudo isto? Qual o perfil desse criador? Inimaginável, óbvio.
Agora raciocinando: Porquê, numa imensidão infinita, esse Criador terá escolhido um pontosinho que perante tal grandeza, nem tamanho tem o nosso planeta Terra, para decidir aqui fundar seu reino de habitantes de todas as espécies existentes, e entre elas eleger uma (humana), para se dar a conhecer?
Só poderei dizer que demasiadamente redutor de algo tão poderoso.
De tudo que leio, especialmente sobre as bases sólidas para poder firmar minha crença na existência de um Deus, não consegui ainda encontrar a resposta que me persuada à aceitação convicta de tal existência.
Mas me surpreende muito, a força das crenças na sua capacidade de serem aceites por tantos milhões de seres humanos que, aceitam, ao que creio, achando ser suficientes as bases que lhe são ditadas pelos “GURUS” de cada uma das religiões ou crenças, através dos séculos de suas existências.
Uns fundamentando-se na bíblia que, basta fazer uma sumária investigação sobre quem a escreveu, analisando o respectivo contexto no tempo e no espaço em que esses autores a redigiram... Mais ainda o aproveitamento que é feito de harmonia com as cirunstâncias de cada época, fazendo aquilo a que chamam de uma interpretação teológica, para que seus textos possam na maioria dos casos ser aceites de forma metafórica, dado que a intrerpretação literal, numa grande parte das situações tocaria o nível do ridículo até.
Outros se fundamentam noutros manuais “ALCORÃO” e muitos outros, mas cujas bases serão de idêntico teor e interpretação.

Eu deixo para reflexão o seguinte:
Aceitando-nos tal como tudo que temos conhecimento de sua existência, uma porção de matéria química, física e energeticamente organizada, dotados de uma apreciável capacidade de raciocinar, e pondo de parte todas essas crenças que subjugam a maioria dos habitantes humanos deste planeta;
Assimilando que não dependemos das vontades, caprichos ou julgamentos desses Deuses;
Que fosse disseminada uma cultura de vermos em nossos semelhantes companheiros e nunca alguém que nos quer subjugar ou de nós depender sob o ponto de vista de poder autoritário;
Que nessa cultura estivesse sempre presente a preocupação de não ver em nossos semelhantes adversários, mas antes companheiros solidários para todas as causas de índole contribuitiva para o bem e progresso da humanidade;
E tudo o mais que promova a paz e concórdia...
Será que essa dependência inculcada, de submissão aos ditames de todos e quaisquer tipos de religiões ou crenças, teria razão de existir???
Não estou apelando a que se desfaçam, cada um de sua crença. Mas analise-se o mundo actual, e veja-se o que esse tipo de posturas está originando em uma grande e substancial parte das gerações actuais, com seus radicalismos desenfreados, incapazes de abrir seus espíritos à realidade natural da vida com que a pródiga Natureza nos brindou.
É preciso lutar contra todos os radicalismos, sempre cegos em ver, tudo que não esteja em seu prisma de observação.
Não é preciso dar exemplos, pois infelizmente eles abundam em enorme demasia....